Os editores muito se orgulham dele o que é sem dúvida positivo para Balão. Mas, ainda mais importante do que gerar um bom produto, é o processo que culmina na impressão do jornal.
Desde 1997, o JB é elaborado em oficinas semanais, coordenado por uma jornalista, em que os alunos trabalham duro, no mesmo esquema das redações dos grandes jornais. São realizadas quatro oficinas por semestre, com cerca de 25 alunos cada, gerando quatro edições do jornal.
Antes de “sair para a rua” e fazer entrevistas, os alunos precisam controlar a ansiedade e refletir sobre o trabalho do repórter e do editor. É o momento de discutir a importância de se fazer pesquisas prévias sobre o tema ou o entrevistado para evitar perguntas cujas respostas estão disponíveis a um clique na internet, de conhecer as características específicas do texto jornalístico e os limites que ele impõe, de aprender algumas técnicas para fazer uma boa entrevista.Após essas conversas iniciais, os alunos saem a campo, primeiro agendando as entrevistas e entrevistando colegas, professores, funcionários, pais e pessoas de fora da escola. Depois, em grupos de quatro alunos, redigem os textos, de forma coletiva.
As reportagens maiores são redigidas por todo o grupo, coletivamente, no quadro, com a coordenação da jornalista e das professoras. Naturalmente, os textos vão e voltam várias vezes, com a jornalista fazendo sempre o papel de “editora-chefe”, exigindo que os alunos procurem novamente os entrevistados se não tiverem conseguido obter todas as informações necessárias e refaçam o texto várias vezes até que qualquer leitor consiga entender a reportagem.
Essa é sem dúvida uma experiência valiosa, em que os alunos têm a oportunidade de desenvolver múltiplas habilidades, como pesquisa, redação concisa e objetiva e capacidade de síntese.
Mas, talvez, o mais importante seja desenvolver desde cedo a capacidade de se colocar diante do outro, mesmo numa relação assimétrica, de uma forma que seja tanto segura quanto respeitosa.